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Lixão

A tragédia do Morro do Bumba, em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, expôs um problema sério nas nossas cidades: por todo o Brasil, comunidades inteiras moram sobre o lixo. São condomínios, conjuntos habitacionais, favelas, comércio, igrejas, entre outros. Famílias que se encontram em risco permanente, não só por causa de deslizamentos, mas pela presença de gás metano, o qual é altamente inflamável, que ao se acumular pode provocar explosões. Pode-se citar também a poluição do solo e lençol freático, bem como o desenvolvimento de doenças.

Existem três maneiras de dispor os resíduos sólidos: lixão, aterro controlado e aterro sanitário.

Lixão ou Vazadouro

Área a céu aberto onde os resíduos são despejados sem nenhum tipo de impermeabilização do solo. Não existe nenhum controle quanto aos tipos de resíduos depositados e quanto ao local de disposição dos mesmos, ou seja, resíduos domiciliares e comerciais de baixa periculosidade são depositados juntamente com os industriais e hospitalares, de alto poder poluidor.

Não apresenta nenhum sistema de tratamento de efluentes líquidos - o chorume (líquido preto que escorre do lixo). Este penetra pela terra levando substâncias contaminantes para o solo e para o lençol freático.

Nos lixões pode haver outros problemas associados: moscas, pássaros e ratos convivem com o lixo livremente no lixão a céu aberto. Esses animais são transmissores de inúmeras doenças, tais como raiva, meningite, leptospirose e peste bubônica; crianças, adolescentes e adultos catam comida e materiais recicláveis para vender; além de riscos de incêndios causados pelos gases gerados pela decomposição dos resíduos e de escorregamentos, quando da formação de pilhas muito íngremes, sem critérios técnicos.

No lixão o lixo fica exposto sem nenhum procedimento que evite as consequências ambientais e sociais negativas.

Aterro Controlado

É uma célula adjacente ao lixão que foi remediado, ou seja, que recebeu cobertura de argila e grama (idealmente selado com manta impermeável para proteger a pilha da água de chuva) e captação de chorume e gás.

Esta célula adjacente é preparada para receber resíduos com uma impermeabilização com manta e tem uma operação que procura dar conta dos impactos negativos tais como a cobertura diária da pilha de lixo com terra ou outro material disponível como forração ou saibro.

Tem também recirculação do chorume que é coletado e levado para cima da pilha de lixo, diminuindo a sua absorção pela terra ou eventualmente outro tipo de tratamento para o chorume como uma estação de tratamento para este efluente.

Aterro Sanitário

No aterro sanitário o depósito de lixo obedece a uma série de normas e procedimentos a fim de minimizar seu impacto sobre o meio ambiente. Entre eles, distância de no mínimo 100 metros de área construída e cursos d'água, impermeabilização do solo com uma camada de dois metros de manta sintética, pedra e areia, alternância de lixo compactado com terra e argila, sempre terminando em grama, construção em desnível, drenagem de gás metano e chorume e tratamento adequado de todos os dejetos.

O terreno antes de receber os resíduos sólidos, foi preparado previamente com o nivelamento de terra e com o selamento da base com argila e mantas de PVC, esta extremamente resistente. Desta forma, com essa impermeabilização do solo, o lençol freático não será contaminado pelo chorume.

O chorume é coletado através de drenos de PEAD, encaminhados para poços de acumulação de onde, nos seis primeiros meses de operação é recirculado sobre a massa de lixo aterrada. Depois desses seis meses, quando a vazão e os parâmetros já estão adequados para tratamento, o chorume acumulado será encaminhado para a estação de tratamento de efluentes.

A operação do aterro sanitário, assim como a do aterro controlado prevê a cobertura diária do lixo, não ocorrendo a proliferação de vetores, mau cheiro e poluição visual.

Uma área de depósito de lixo jamais deveria receber construções de qualquer tipo, por pelo menos três décadas após seu fechamento. Isso porque o terreno, durante este período, apresenta-se como uma massa disforme, sem sustentação, com buracos onde se forma gás. Ou seja, um terreno semelhante a uma esponja.

Essa falta de firmeza do solo é o principal motivo pelo qual não se deve construir nada em uma área de lixão ou mesmo de aterro sanitário. Apesar, deste último apresentar um terreno mais estável que o lixão, o aterro é construído para sustentar a si próprio, além disso, por causa da emissão de metano, que é inflamável, é arriscado construir sobre eles. Uma alternativa de uso para os aterros sanitários seria, após 30 anos de sua desativação, construir parques, campos de futebol ou de golfe sobre eles.

A produção de resíduos é inerente à condição humana. Cada pessoa produz cerca de 300 quilos por ano e como um processo inexorável, tornou-se um problema de difícil resposta, que exige a reeducação e comprometimento do cidadão.

Não há como não produzir lixo, mas diminuir essa produção reduzindo o desperdício, reutilizando sempre que possível e separando os materiais recicláveis para a coleta seletiva.

O lixo domiciliar ou orgânico pode ser encaminhado para a compostagem, que é um processo de transformar os restos de alimentos, verduras e frutas, num excelente adubo. No Brasil, de acordo com o IBGE, apenas 9% do lixo doméstico segue para a compostagem. Já o lixo inorgânico (papel, metal, plástico e vidro), pode ser separado e reciclado.
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